segunda-feira, 6 de novembro de 2017

KEVIN DE BRUYNE




Como disse Bruce Lee em duas de suas frases, "saber não é o bastante, precisamos aplicar". "querer não é o suficiente, precisamos fazer.
Pois é! Hoje deparei me com uma opinião que estava pensar escrever aqui no blogue. (sad).
Obrigado Carlos Daniel,
Esse menino Joga Muito.            
Gostei muito do que li, 5 estrelas. (happy and enjoying).

Opinião de um dos melhores comentadores de Futebol que conheço.
Compactuo com ela.

CARLOS DANIEL 2017-11-06
Kevin De Bruyne é bem capaz de ser, por estes dias, o jogador mais completo que é possível encontrar num relvado: organiza como um médio centro, dribla em progressão como um extremo e finaliza como um goleador. Tem aquilo que é fácil ver a olho nu - qualidade de recepção e passe (curto ou longo) que distingue a elite, eficiência no uso de ambos os pés, aceleração na hora certa e o remate certeiro mesmo se ainda distante da baliza - mas tem principalmente o que faz a diferença: já não é só o jogador que carrega com ele a bola e a equipa, é também o que sabe baixar e organizar pelo passe, como não se limita a uma grande participação no momento ofensivo, que percebe também o avanço dos colegas e a necessidade de os compensar. Numa expressão: entende o jogo. E por isso o joga cada vez melhor. A entrevista que deu a Jamie Redknapp, na Sky Sports, há meia dúzia de dias, foi elucidativa. E notável.

Jamie, filho do treinador Harry, antigo médio de alguma qualidade, fez as perguntas, boas perguntas, mas próprias do jogador que joga, ou jogou. De Bruyne deu as respostas, melhores respostas, do jogador que pensa. Que pensa o que joga. A conversa, ilustrada com vídeos dos melhores momentos do belga nas últimas épocas, mostrou que mesmo um olhar atento, de quem jogou e hoje analisa, não esconde a passagem do tempo. As perguntas eram técnicas mas as respostas foram táticas, as questões apontavam ao gesto, as explicações falavam de espaço, Redknapp exaltava o individual, De Bruyne nunca ignorava o coletivo, sugeria-se o artista, o próprio respondia com equipa.

Logo na primeira resposta, o jovem belga foi à essência da evolução, em três letrinhas apenas: Pep. Foi com Guardiola que o rendimento dele – e, acrescento, o de Fernandinho e o de Silva, e de Sterling ou Sané – disparou. O jogo posicional abriu-lhes o entendimento e aumentou-lhes o rendimento, pois saber jogar é, antes de mais, saber onde estar. Surge o fabuloso golo da vitória em Stanford Bridge, já este ano – pode acompanhar-se a leitura com a recordação, via youtube -, na exaltação do gesto, brilhante, do convidado, que finalizou o lance. De Bruyne pede para recuar a imagem ao início do jogada em busca o mais importante: estavam todos na posição certa. A partir daí foi mais fácil, explica.

A conversa foi todo um compêndio. De Bruyne explicou como liga o seu jogo com o de David Silva e como isso exige que ele seja menos o 10 que já foi e recue no terreno para organizar, como a perceção de que ter Kyle Walker, lateral ofensivo a partir da direita, obriga a maior atenção às coberturas, ou como é diferente servir Sterling e Sané, que pedem muito a bola no espaço, ou Agüero ou Gabriel Jesus, que a querem também no pé. E explica como já foi outra a relação com o ponta de lança, quando jogava com Bas Dost, no VFL Wolfsburgo, e era essencialmente um ala cruzador. Tratava-se apenas de levantar a bola para a área que o holandês fazia o resto. Sabemos bem do que ele fala.

O futebol de De Bruyne é agora mais amplo que o de um extremo driblador e rápido, com ordem para cruzar. O belga vê mais campo porque valoriza o espaço. Entende a estratégia - ter os alas mais ou menos abertos depende também do adversário -  e coloca a estatística no seu lugar: “fazes agora muitos mais passes para a frente”, mostra-lhe Redknapp, “também jogo muito mais vezes a partir de trás”, desmonta o belga. Mas sim, passa para a frente, sublinha, que a ideia feita de que o jogo de Guardiola se baseia sobretudo na posse é tão redutora como pretender que Vilamoura seja o Algarve todo. Chega a ser cruel comparar o discurso de De Bruyne, 26 anos, ainda e apenas futebolista, com o de tantos colegas e até treinadores que insistem em falar de “atitude competitiva”, “espírito guerreiro” ou “capacidade de sacrifício”, como se balelas dessas pudessem ser exclusivo de alguém ou segredo de algum sucesso continuado. Ainda assim, antes isso que os que reduzem tudo a árbitros e jogos de bastidores


https://bancada.pt/futebol/opiniao/o-que-de-bruyne-joga-e-pensa





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