quinta-feira, 14 de julho de 2016

O nº 9



                                                         


O Edu esta ai? Segue a pergunta direccionada a minha Mãe, depois de bater palmas em frente ao nosso portão. Hoje tem jogo a tarde, às 4 horas, é contra o 'meia-lua', time de futebol do nosso bairro. Bairro, cujo nome é Boqueirão, dos 'campinhos' de futebol em terrenos baldios, periferia de Curitiba. Era assim, quase todo final de semana dos 6 aos 13 anos que Luisão nosso Treinador do campo de terra preta e batida ... um tapete, vinha chamar não só eu , como também meu irmão Mozart, para jogarmos o que é para nós até hoje, o melhor desporto do mundo.
Eu sempre fui Ponta de Lança , Centro-Avante como se diz no Brasil , o 9, em Portugal , dos 5 anos que aqui joguei, 4 anos joguei a extremo, por ter força e disciplina em acompanhar o defesa lateral. Somente 1 ano joguei a Ponta, e fui o artilheiro da equipe com 15 golos na época, enquanto que nos 4 anos, fiz somando as 4 épocas 13 golos . Sempre fiz muitos golos quando criança, e sempre joguei perto do gol (trave/baliza). Foram 7 anos em contacto com a baliza #trave.gol, dos 6 aos 13 anos. A formação de um Ponta de Lança depende muito desse inicio, dessa iniciação e permanência perto, em contacto com ela. Aprender a jogar de costas, fazer a parede (pivô).
   Em Portugal desde que retornei para iniciar minha formação como treinador, tenho observado na formação que existem muitos extremos, médios e defesas e poucos 9 com a mesma qualidade.
Muitas vezes, além de saber jogar a 9 o menino é forte fisicamente e nós treinadores colocamos ele na linha para fechar o corredor (iô-iô), ou a médio para ajudar no meio. Com 10, 11, 12 anos de idade lá se vão 3, 4 anos do faro do gol (golo). Não quero nesse texto dar ênfase ao 9 alto e forte, que proteja bem a bola, mas que não é bom tecnicamente, não, o 9 tem que fazer golo, tenha a estrutura física que tiver, porém de preferência, com boa técnica se possível habilidoso no tratar a bola, não, não levem ele(o 9) para linha, nem para o meio deixem ele no habitat natural. Temos N exemplos no mundo em varias épocas, de excelentes pontas de lança de tudo quanto é tipo, tamanho, raça e cor.
No Brasil ao meu ver essa posição esta ainda pior, criaram uma nova espécie (que deveria estar extinta) uma indefinida posição.
O meia-atacante. O atleta nem é carne, nem é peixe. Gente ... isso não existe. Ou ele é médio ou avançado ( meia ou atacante). No Brasil estamos indo contra a formação não só do 9, mas do 10 também. Eu sei que há jogadores capazes de fazer bem duas ou mais posições no jogo de futebol. Porém são pouquíssimos em relação a maioria, há cada vez mais jogadores com esse perfil, o futebol tem evoluído nesse sentido é verdade, mas por favor ... não esqueçamos do Nº 9 .