Quando lembro que em algumas entrevistas Pep Guardiola dando exemplos do nosso futebol sinto um orgulho enorme, ainda que nostálgico. Desde 1930 tivemos varias gerações com excelentes jogadores. O Brasil foi, com certeza, sempre bem representado em campo. Algumas constelações formadas por verdadeiros craques. É só puxar pela memória a seleção de 82. Ainda que criticado por ter deixado alguns craques de fora (eram tantos) o treinador da seleção brasileira de 82, entrou para história pela positiva mesmo sem ter vencido. Essa seleção sem dúvida alguma foi uma das referências para Guardiola. Bola de pé em pé, troca de passes precisos, com rapidez e mobilidade, o famoso tic-tac. Tic-tac Telê Santana ( mestre Telê ) foi quem arquitectou e convocou essa seleção, muitos o têm como teimoso, eu prefiro chama-lo de mestre Telê . Principal referência de treinador brasileiro, suas ideias e suas maneiras de entender o jogo nunca poderiam deixar de ser verdades para nós brasileiros. Infelizmente por não ter vencido em 82, foi substituído na copa seguinte e quem perdeu foi o futebol brasileiro. Não seguindo o exemplo da Alemanha que perdeu jogando bem em 2010, manteve o treinador e o caminho continuou a ser construído para 2014. Telê foi despedido da Canarinho mas manteve seu caminho e filosofia (conceito). Foi Bi~Campeão da Libertadores e Mundial vencendo Barcelona de Johan Cruijff e Milan de Fabio Capello 92/93. Sim o Futebol brasileiro sempre teve referência, nós é que decidimos copiar os Europeus. Foi ruim para nós o Catenacio ter vencido o futebol arte em 82, mudou realmente nossa essência. E não só, penso que mudou a maneira da maior parte dos países perceberem o jogo. (Obrigado Guardiola por devolver a esse desporto a arte e coragem de ir em busca da vitoria jogando futebol).
Depois de 82, trocamos o treinador e sem perceber, perdemos aos poucos nossa identidade. Em 86 e 90 alguns momentos de inspiração não foram suficientes para chegarmos lá. Retornando então a vencer um campeonato do Mundo 24 anos depois em 94, ao meu ver sem grande brilho e graças ao Romario. Nesse mundial é certo que toda a equipe teve méritos por ser obediente tacticamente e entregar se ao objectivo É facto que esteve brilhante e focada no modelo de jogo imposto pelo treinador. Deu "certo". Sim vencemos, esse é o objectivo do jogo, porém o que tento dar ênfase nesse pequeno texto é ao nosso verdadeiro futebol. Poderíamos ter perdido em 94 e ter vencido 86, 90 e 2006, quem sabe 2014? Em 2002 vencemos, Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo não poderiam ser parados, mesmo assim nós poderíamos ter sido ainda melhores se Felipe Scolari tivesse levado o Alex, por exemplo. Entendem onde quero chegar? Com certeza Gilberto Silva iria correr menos, e gostaria de ter tido mais a bola naquela copa. Pois é certo que assim teríamos mais bola. Alguém aí lembra de 1970 ? Quantos médios ofensivos (o 10) tinha aquela seleção? Eram 4, Rivelino, Gerson, Tostão e Pelé. Ai você me diz: "Os tempos são outros! Naquele altura dava para jogar assim". E eu te digo: Bastian Schweinsteiger médio defensivo da Alemanha, campeã do mundo em 2014, jogou grande parte de sua carreira como médio ofensivo! A equipe tem posse de bola quando se tem os melhores jogadores em campo. E a posse de bola nos leva ao gol. É matemática com potencialização. A potencialização fica por conta de grandes jogadores.
Eu sei que não se pode vencer sempre, mesmo com os melhores, o futebol é magico por isso mesmo. Porém acreditando no legado de Telê Santana, que infelizmente esquecemos, poderíamos estar nesse caminho até hoje. Trabalhando da maneira correta na formação e sempre no topo sem muita oscilação. Digo formação por que não se pode começar uma casa pelo tecto, e sim pela base. É verdade, não se faz omelete sem ovos, mas no Brasil nesse caso o que não falta é ovo e do tipo A. Por que não, jogar com Douglas Costa, Philipe Coutinho e Willian ou Oscar, talvez o Lucas em uma linha de 3 por traz do 9, e se esse nove fosse o Neymar? Falso 9 aliás. Eu com certeza não queria ser um dos defesas adversários, iria ficar baralhado quando Neymar baixasse entre linhas para receber a bola. Criando assim espaço em profundidade para esses médios. Se quiserem, podem juntar Fernandinho e Casimiro dando sustentação a essa estrutura. Esses 2 sendo o elo na construção e contenção da equipe. É verdade que você precisa montar uma estrutura e modelo de jogo com o que se tem disponível, e estamos falando de seleções onde se encontram os principais jogadores dos seus respectivos países. Nos clubes de futebol é diferente, nem sempre se tem os melhores, porém há bons jogadores, que nas mãos de um grande treinador podem vir a ser ótimos. Voltando ao Brasil. Por ter perdido a referência que tínhamos até 82 , mudou a capitação na base sobre tudo no meio campo. O médio que tratava bem a bola, não muito forte fisicamente, perdeu espaço para o alto e forte com poder de marcação, porém com pouca técnica. Isso por que queríamos imitar o catenacio e toda Europa, afinal eles tinham sido campeões do mundo em 82. Pois quem diria?! Hoje a Europa é quem tem resgatado o que para nós era um conceito, o futebol arte. Não é Guardiola? Também vemos bom futebol na Alemanha, Espanha e até mesmo em Inglaterra, que a duas décadas atrás era especialista no futebol directo (feio). A esperança é que retornemos aos trilhos e que se invista na capacitação de bons treinadores, na capitação de bons atletas. O Brasil 5 estrelas pode estar ressurgindo com nosso velho e bom futebol. Quem sabe com o Tite? Não era ele nas Olimpíadas e sinceramente a Alemanha jogou melhor. Melhorou algo nos dois últimos jogos das eliminatórias para copa da Rússia. Vai se notando organização. O Fernandinho tem que jogar ao lado do Casemiro. O Guardiola escalaria os dois. Pergunta pro Silvinho Tite.
Sem mais, que nosso país também melhore em todos os aspectos, inclusive no que diz respeito a segurança, para que nossas crianças voltem a jogar bola na rua. Menos ou nenhuma corrupção... mas aí já é outro papo. Abraço.
O ano era o de 1989. Entre Agosto e Setembro, em Curitiba nessa época do ano costuma estar frio. Lembro que estava calor, ainda com o verão por chegar. Havíamos acabado de nos mudar, continuávamos no mesmo bairro. Mesmo bairro, porém estávamos ansiosos pois iríamos para perto do Pinheiros, antigo clube de Futebol da cidade de Curitiba, que no mesmo ano iria fazer a fusão com o Colorado dando origem ao Paraná Clube. Eu e meu irmão Mozart, uma semana após a mudança, fomos ao Clube para uma experiência (teste). Ele com 10 anos e eu com 12, seguimos para o clube que ficava a 3 quarteirões de nossa casa. Bastou um treino(2 minutos) para meu irmão ser aprovado, e no treino seguinte trazer os documentos. No meu caso, o nosso saudoso e querido professor Evaldo precisou três sessões de treinos para o ok. Introdução feita só para dizer que no segundo dia de treino, apareceu um dos caras mais gente boa que já conheci, e não só, um entre os 3 melhores jogadores que estiveram na formação do Paraná. Os 3 melhores, na minha opinião, são Gilberto (Mascote), Mozart, e o outro é sobre quem irei escrever, Perdigão. Perdigão que me apelidou de Brasil, já que na altura, fui fazer o teste no Pinheiros com a camisa da Seleção Brasileira. Ele disse ao chegar no treino, era a primeira vez que tinha me visto, "Sou depois do Brasil", existia uma fila, era um tipo de aquecimento em forma de brincadeira o qual chamava-mos "controlinho". Poderia ter sido qualquer um ... mas foi o Perdiga, por isso até hoje eu sou o Brasa.
Perdiga para os mais chegados. Seu Manoel o pai do Perdiga, quando foi registar ele deve ter dito, 3 nomes próprios ( Cleilton Eduardo Vicente) por que esse aí vai jogar por 3 rsrs. Perdigão foi campeão do mundo pelo internacional, jogou no Vasco, Corinthians, entre outros clubes. Perdigão teve uma carreira vitoriosa e sem duvida nenhuma, com muita classe ao tratar a bola. Passes precisos e simplicidade no que poderia ser definido por uma das frases de Johan Cruijff, "jogar futebol é simples, difícil é jogar um futebol simples". Simplicidade que tive o prazer de acompanhar desde 89 nos pés do Perdiga. Jogo após jogo, treino após treino a evolução era constante. Quando tinha 15 anos jogando uma partida pelo sub17, meu pai, Seu Mozart, no fim de um jogo pelo campeonato perguntou da arquibancada: "o que você está fazendo aqui Perdigão" ? Entre torcedores, pais, diretores e jogadores que, saindo com o Perdigão em direcção ao vestiário não entenderam nada. O Perdiga levantou a cabeça sem compreender e disse "o quê seu Mozart" ? Meu pai continuou, "o que você esta fazendo aqui?Seu lugar não é aqui, e sim entre os profissionais. Você tinha que estar era na Vila Capanema". A Vila era onde os profissionais do Paraná Clube treinavam na altura, e com certeza onde Perdigão deveria estar já com 15 anos. Sempre foi acima da média, com 16 para 17 foi transferido para o Atlético Paranaense onde iria jogar como Profissional. Suas convocatórias para Seleção Brasileira de base eram frequentes. Nessa altura, pela qualidade que tinha resolveu mudar de posição. Deu um passo a frente no terreno de jogo e foi jogar a 10. Nunca perguntei-lhe porque. Nesse período de sua carreira foi emprestado para alguns clubes, dentre eles o Belenenses em Portugal, onde na época 98/99 ajudou a equipa do Belenenses a retornar a primeira Liga Portuguesa . Foram 3 meses, ultimo terço da competição, as 8 assistências para golo em 9 jogos fizeram valer e muito para equipa do Belenenses. Como escrevi em meu primeiro texto, muitos jogadores hoje, conseguem jogar em duas ou mais posições. Porem o treinador precisa, e tem o dever de observar, onde esse atleta produzirá mais para equipa e também para a própria carreira no futuro. O Perdiga sempre foi médio interior, no Brasil chamamos de segundo volante, o 8. E foi assim que em 2004 ele retornou a jogar nessa posição, no Rio Grande do Sul, mais precisamente no XV de Campo Bom. Esta equipa na altura comandada por Mano Meneses, treinador da Seleção Brasileira 2010/2012, e que levou Perdigão para o Corinthians em 2008. O seu futebol voltou a dar nas vistas, agora como médio, novamente posição que o levou a todas as seleções de base. Do XV onde foi finalista da Copa do Brasil, foi transferido para o Internacional de Porto Alegre onde viria a ser campeão da Libertadores e do Mundo. Do Boquera para o Mundo, não mudando sua forma de estar na vida, com simplicidade e humildade, humildade essa não forçada. Simplesmente natural, como o seu belo futebol. Orgulho para todos que foram seus companheiros dentro e fora das 4 linhas. No Inter é tratado como ídolo até hoje, com muitos fã clubes e paginas em redes sociais. Redes sociais essas, brincando ou não, o comparavam com o Xavi que jogou no Barcelona. A verdade é que se o Xavi errou 1 passe durante toda a carreira...(não é estatística, sou eu escrevendo) ... o Perdiga deve ter errado 1 também. O Xavi jogou no Barça. O Perdiga poderia e deveria ter jogado no Real Madri, os torcedores do Real teriam se encantado não tenho duvidas. Escrever sobre o Perdiga é uma honra. Além de um fantástico jogador que foi, é meu amigo e irmão. Hoje é uma de minhas referências sobre o comportamento de um médio durante uma partida de futebol. Abraço e obrigado por nos inspirar até hoje PERDIGÃO.


O Edu esta ai? Segue a pergunta direccionada a minha Mãe, depois de bater palmas em frente ao nosso portão. Hoje tem jogo a tarde, às 4 horas, é contra o 'meia-lua', time de futebol do nosso bairro. Bairro, cujo nome é Boqueirão, dos 'campinhos' de futebol em terrenos baldios, periferia de Curitiba. Era assim, quase todo final de semana dos 6 aos 13 anos que Luisão nosso Treinador do campo de terra preta e batida ... um tapete, vinha chamar não só eu , como também meu irmão Mozart, para jogarmos o que é para nós até hoje, o melhor desporto do mundo.
Eu sempre fui Ponta de Lança , Centro-Avante como se diz no Brasil , o 9, em Portugal , dos 5 anos que aqui joguei, 4 anos joguei a extremo, por ter força e disciplina em acompanhar o defesa lateral. Somente 1 ano joguei a Ponta, e fui o artilheiro da equipe com 15 golos na época, enquanto que nos 4 anos, fiz somando as 4 épocas 13 golos . Sempre fiz muitos golos quando criança, e sempre joguei perto do gol (trave/baliza). Foram 7 anos em contacto com a baliza #trave.gol, dos 6 aos 13 anos. A formação de um Ponta de Lança depende muito desse inicio, dessa iniciação e permanência perto, em contacto com ela. Aprender a jogar de costas, fazer a parede (pivô).
Em Portugal desde que retornei para iniciar minha formação como treinador, tenho observado na formação que existem muitos extremos, médios e defesas e poucos 9 com a mesma qualidade.
Muitas vezes, além de saber jogar a 9 o menino é forte fisicamente e nós treinadores colocamos ele na linha para fechar o corredor (iô-iô), ou a médio para ajudar no meio. Com 10, 11, 12 anos de idade lá se vão 3, 4 anos do faro do gol (golo). Não quero nesse texto dar ênfase ao 9 alto e forte, que proteja bem a bola, mas que não é bom tecnicamente, não, o 9 tem que fazer golo, tenha a estrutura física que tiver, porém de preferência, com boa técnica se possível habilidoso no tratar a bola, não, não levem ele(o 9) para linha, nem para o meio deixem ele no habitat natural. Temos N exemplos no mundo em varias épocas, de excelentes pontas de lança de tudo quanto é tipo, tamanho, raça e cor.
No Brasil ao meu ver essa posição esta ainda pior, criaram uma nova espécie (que deveria estar extinta) uma indefinida posição.
O meia-atacante. O atleta nem é carne, nem é peixe. Gente ... isso não existe. Ou ele é médio ou avançado ( meia ou atacante). No Brasil estamos indo contra a formação não só do 9, mas do 10 também. Eu sei que há jogadores capazes de fazer bem duas ou mais posições no jogo de futebol. Porém são pouquíssimos em relação a maioria, há cada vez mais jogadores com esse perfil, o futebol tem evoluído nesse sentido é verdade, mas por favor ... não esqueçamos do Nº 9 .